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Procura Avançada
Plano Estratégico da EBLIDA 2019-2022


 

Lobbying for Libraries

A EBLIDA, European Bureau of Library, Information and Documentation Associations, é uma associação independente de apoio a instituições e associações europeias de bibliotecas, informação e documentação: a voz das bibliotecas na Europa.

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Na oportunidade da 27ª Conferência da EBLIDA-NAPLE cujo tema é Libraries open for all, a EBLIDA preparou um documento de referência que reflete os seus métodos de trabalho para o desenvolvimento de uma política para as bibliotecas que abranja quer a diversidade cultural, quer as necessidades locais para o período de 2019-2022.

No documento são identificados 4 fenómenos catalizadores para este período que se prevê que venham a ter grande impacto no desenvolvimento das bibliotecas, e que devem ser aproveitados para acelerar mudanças e transformações através da antecipação e da criação de soluções inovadoras capazes de sustentar uma sociedade equitativa e democrática, são estes:

1) Participação ativa e luta por uma sociedade equitativa e democrática

A missão das bibliotecas é promover a liberdade de informação e o livre acesso à informação, educação e cultura para todos os cidadãos. A luta por uma sociedade equitativa e democrática é uma das principais prioridades das bibliotecas num ambiente de debate bem informado, com perguntas e resultados claros. Trolls e notícias falsas representam uma barreira à comunicação e promovem ruído e desinformação. O fenómeno implica repensar o modo como as bibliotecas comunicam, por exemplo, aproveitando as suas coleções e catálogos, bem como as páginas web e o seu espaço físico, as bibliotecas podem dissiminar "contra-informação" baseada na comunicação de bibliografias temáticas, na divulgação de citações de fontes fidedignas e na promoção de debates esclarecedores nos seus espaços.

2) Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

Os ODS da ONU não são um livro de sonhos. Consistem em medidas concretas, estruturadas numa série de sub-objetivos e indicadores, com o objetivo de contrariar o atual desenvolvimento causado ​​pelas ações do homem e que levam nosso planeta ao desastre. Mesmo que as mudanças climáticas e o meio ambiente sejam objetivos centrais, os 17 objetivos abordam os problemas de maneira global e estabelecem uma estratégia cujo objetivo final é salvar o planeta através de um ambiente humano sustentável.
 
As bibliotecas são instituições fundamentais para alcançar estes objetivos. Cada um deles pode contribuir para a realização dos ODS da ONU. A tarefa das bibliotecas é articular uma metodologia onde as medidas e as políticas sejam reexaminadas para perceber até que ponto respondem aos ODS. A saúde, a regeneração urbana, ou os direitos de autor podem reorientar o papel das bibliotecas, tanto quanto determinado projeto específico de uma biblioteca. A legislação e as políticas são determinantes para conectar as bibliotecas com as sociedades, para atrair e incluir mais públicos e grupos marginais e para criar novas oportunidades.

3) Directiva Europeia sobre os Direitos de Autor no Mercado Único Digital

Com o surgimento das redes digitais, o papel das bibliotecas diminuiu face ao aparecimento dos motores de pesquisa universais, grátis e de fácil acesso. O ambiente digital de direitos de autor atribui às bibliotecas responsabilidades sobre como construir a infoesfera gerada pela Diretiva Europeia, aproveitando ao máximo as exceções e limitações previstas.

A forma como as bibliotecas canalizam os seus produtos e a conectividade que adotam nas suas plataformas podem ser um exemplo de economia da informação em que algoritmos e ferramentas de inteligência artificial são aplicados de maneira ética, independentemente de leis comerciais.

Outra responsabilidade das bibliotecas é poder colmatar as distorções do mercado, em que as elas próprias são garantia de uma abordagem pluralista e diversificada da informação.

Ao contrário das empresas privadas, é da responsabilidade das bibliotecas, e em particular das bibliotecas públicas, diversificar a oferta e promover alternativas de plataformas para o fluxo de informações. As bibliotecas terão de se mobilizar para consolidar a sua representação pública como redes não comerciais que fornecem acesso à informação para todos, tal como já o fazem no mundo impresso e analógico.

4) Inteligência artificial

Os sistemas de IA processam sistemas de conhecimento e identificam relacionamentos e conexões entre bancos de dados. As ferramentas de Big Data e software de IA serão inicialmente apenas acessíveis a grandes organizações. Posteriormente, essas ferramentas ficarão cada vez mais acessíveis a qualquer organização, criando oportunidades para a inovação nos mais diversos serviços. Apesar de se esperar que o ponto de inflexão da IA ​​aconteça em 2025-2026, as soluções para preparar este futuro deverão ser pensadas e trabalhadas desde já. É possível que todas as transações da biblioteca possam ser substituídas por serviços baseados em AI e, caso as bibliotecas não estejam preparadas para trabalhar com IA, na melhor das hipóteses adotarão soluções de forma passiva em vez de conduzirem o processo de maneira inteligente e no seu melhor benefício.

Atendendo a estes fenómenos, o Plano Estratégico da EBLIDA 2019-2022 devide-se em quatro vertentes, acompanhadas de projetos estruturantes:

1) A "nível político" refere-se ao trabalho tradicional de advocacia da EBLIDA com instituições europeias. O projecto associado a esta vertente é a promoção do Manifesto de Biblioteca para a Europa, resultado de um esforço conjunto empreendido por Public Libraries 2030, IFLA, LIBER, SPARC Europa e EBLIDA.

2) A vertente do "Quadro Legislativo", respeita às actividades sobre direitos de autor por um lado, e aos actos que articulam as políticas nacionais para as bibliotecas, por outro, e que tem dois projetos associados:

a) continuação do trabalho sobre direitos de autor realizado em colaboração com a IFLA, LIBER, SPARC, CENL e outras associações;

b) revisão das Diretrizes da EBLIDA do Conselho da Europa sobre Legislação e Política de Bibliotecas, aprovada em 2000.
 
3) A vertente do "desenvolvimento de políticas" assenta na necessidade das estatísticas nacionais permitirem avaliar efetivamente o desempenho das bibliotecas a nível nacional e europeu.

O projecto associado é a criação de indicadores qualitativos da biblioteca, para além daqueles quantitativos associados à circulação de documentos que são normalmente utilizados para avaliação de bibliotecas e colecções.
 
4) A vertente do "impacto socioeducativo das bibliotecas" respeita ao envolvimento das bibliotecas nas comunidades através de atividades de alfabetização, aprendizagem informal, auto-aprendizagem e inclusão social. O projeto associado a esta vertente é o LBY-LHY (Learn By Yourself, the Library will Help You) apresentado em abril 2019 por Giuseppe Vitiello, Diretor da EBLIDA, onde se prevê que as bibliotecas criem e mantenham um repositório de recursos e materiais educacionais on-line, em acesso aberto, para utilização no desenvolvimento da alfabetização e da aprendizagem.


Destas 4 vertentes, o Plano Estratégico para 2019-2022, foca-se no “Desenvolvimento de políticas” baseadas em conjuntos de dados estatísticos e indicadores qualitativos que deverão ser recolhidos:

Em 2017, a Public Libraries 2030 combinou o Mapa das Bibliotecas da IFLA com outros indicadores da UE e chegou aos números gerais sobre as bibliotecas da UE: 65.000 bibliotecas públicas com cerca de 100 milhões de visitantes anuais. Um quinto da população europeia são utilizadores ativos.

No entanto, as maiores questões prendem-se com a qualidade insatisfatória dos dados e com a forma como são utilizados: se os conceitos estatísticos devem corresponder a factos ou situações empiricamente observáveis, pode-se facilmente inferir que a biblioteca “social” (serviços de biblioteca realizados com migrantes, minorias, cidadãos socialmente excluídos) não é registada em nenhum lugar, não sendo portanto medido o impacto das bibliotecas em termos de planeamento urbano, inclusão social nem participação democrática, entre outros. Assim, em vez da tónica ser dada à intensidade do uso dos recursos, as suas práticas devem ser consideradas em termos de modo de utilização. A identificação de indicadores de desempenho do impacto social da biblioteca pode incluir, por exemplo, o número de grupos voluntários e comunitários normalmente vinculados ao serviço de biblioteca e a proporção de horas em que as bibliotecas são usadas para atividades que vão além dos serviços tradicionais, horas e serviços dedicados ao contato com o público e às relações formais com escolas, faculdades e empresas ou associações locais.

As estatísticas qualitativas das bibliotecas são portanto essenciais na formulação de políticas culturais, desenvolvimento de objetivos educacionais ou validação de políticas sociais. Cada uma destas finalidades utilizará diferentes conjuntos de dados estatísticos para processar ​​de forma consistente resultados que as políticas desenvolvidas pretendem alcançar.

Saiba mais na Newsletter de maio da EBLIDA ou se for associado, aceda ao Background Paper da Conferência!

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Última Actualização em: 18-08-2019