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Procura Avançada
Acessibilidade e inclusão de mãos dadas também nas bibliotecas públicas - parte 2


A acessibilidade e a inclusão de mãos dadas também nas bibliotecas! (parte 2)

Por consideramos fundamental a atenção que as bibliotecas públicas devem dar à acessibilidade (espaços, conteúdos e serviços) de forma a poderem cumprir uma das suas mais nobres missões que passa por serem instituições, não só promotoras da inclusão mas, elas próprias, serem inclusivas, garantindo que TODOS, incluindo as pessoas com deficiências físicas ou cognitivas, têm acesso às mesmas oportunidades, deixamos algumas considerações e exemplos de práticas que pretendem ajudar nesta caminhada que é de todos para NÃO DEIXAR NINGUÉM PARA TRÁS.

Na primeira parte deste trabalho divulgámos algumas práticas no que se refere à promoção da acessibilidade (física, social e intelectual) às bibliotecas e aos conteúdos e serviços que disponibilizam, dando exemplos de bibliotecas públicas portuguesas (Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, de Braga, Bibliotecas Municipais de Valongo e Biblioteca Municipal da Covilhã). Nesta segunda parte divulgamos o projeto da Europa Criativa "Every Story Matters", o projeto do governo francês "Facile à Lire" e  ainda a experiência de uma biblioteca neozelandesa na dinamização de um Clube de Leitura "acessível".

O projeto "Facile à Lire" (promovido pelo Ministério da Cultura francês, Associação de Bibliotecários Franceses, Agência Nacional francesa de Luta contra a Iliteracia e a Federação Interregional do Livro e da Leitura), implementado nas bibliotecas e mediatecas francesas, visa facilitar a leitura e compreensão da comunicação escrita nestes espaços: As zonas "Facile à lire" são devidamente identificadas, podendo ser consultadas por todos, e disponibilizando uma seleção de títulos "fáceis de ler", dispostos com as capas de face voltada para os utilizadores. A seleção das obras é realizada pelos bibliotecários dentro da oferta editorial corrente, com critérios de acessibilidade e facilidade de leitura. O serviço oferece ainda um acompanhamento especial por parte dos profissionais de biblioteca, de forma a captar e fidelizar leitores que de outra forma não a utilizariam.
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Foto: @ Mediatheque de Tourcoing

A nível europeu, o projecto "Every Story Matters", pretende sensibilizar para a promoção da inclusão através da diversidade na literatura, sensibilizando escritores, ilustradores, editores, bibliotecários, professores, pais e leitores para a criação de livros mais inclusivos. Com o apoio financeiro do Europa Criativa, conta com a parceria da "Blue Dar" (empresa que desenvolve conteúdos educativos - arte digital), da JAKRS (Agência Eslovena do Livro), da Mediart International (agência promotora do Zagreb Book Festival), da ROSE stories (Contadores de histórias independentes da Holanda) e da Acesso Cultura (associação portuguesa que promove o acesso fisíco, social e intelectual à particição cultural). No âmbito deste projeto foi criado um programa de Desenvolvimento de Talentos para que seis autores de 6 paises europeus (Belgica, Holanda, Portugal, Eslovénia, Croacia e Alemanha) pudessem criar e desenvolver conteúdos inclusivos para crianças e jovens adultos. As criações que resultarem deste Programa serão levadas à Feira do Livro de Frankfurt, em outubro de 2021, e à Feira do Livro de Zagreb, em maio de 2022, e também apresentadas aos jovens leitores em festivais, feiras do livro, escolas e bibliotecas, servindo como modelos. O objetivo é sensibilizar os editores para a publicação e viabilização deste mercado e aumentar a cada ano o número de livros publicados, tornando predominante a diversidade na literatura infantil e contribuindo para uma maior consciência pública. Em Portugal, a Acesso Cultura tem estado a promover, desde 2020, em várias bibliotecas públicas portuguesas, workshops gratuitos sobre a bibliodiversidade, dinamizados por Andreia Brites.
 


Partilhamos ainda uma experiência neozelandesa que nos faz refletir sobre a importância da leitura/escrita adaptada no combate à demência e ao isolamento sobretudo das pessoas mais idosas: reescrever histórias, reduzindo-as ao essencial, transformar frases complexas em frases simples e diretas, substituir pronomes pelos nomes dos personagens, substituir palavras complicadas por palavras mais simples, reduzir cada cena a um máximo de duas páginas, são exemplos do que tem sido feito num Clube de Leitura dinamizado por uma biblioteca pública da Nova Zelândia, estimulando as capacidades de leitura, de memória e linguísticas e a recuperação da identidade, através da leitura em voz alta e da partilha de ideias que a dinamização de clubes de leitura proporciona, em prol da integração e inclusão. 

Quanto à acessibilidade dos conteúdos, e para além dos equipamentos e serviços de leitura em suportes especiais, também não podíamos deixar de referir a importância da ratificação e entrada em vigor do Tratado de Marraquexe cujas orientações para bibliotecários podem ser consultadas no guia preparado pela IFLA e já traduzido para português pela FEBAB: Guia de Implementação do Tratado de Marraquexe para bibliotecários.

Não deixe de consultar também a nossa notícia sobre acessibilidade e inclusão-1

Sobre o tema em destaque, e na oportunidade, deixamos o link para a Resolução do Conselho de Ministros n.º 119/2021 (Diário da República n.º 169/2021, Série I de 2021-08-31) que aprova a Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência 2021-2025 (ENIPD 2021-2025).

Atualizado em 31-08-2021 | RD


06-08-2021 | RD    
    
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Última Actualização em: 23-10-2021